8.03.2006

EDMILSON: A DOR DE CABEÇA.


Até aquí a imprensa paraense tem silenciado sobre números de pesquisa eleitoral, muito embora os partidos tenham em mão suas próprias aferições. No momento, os candidatos se debruçam em analisar as jogadas, checam seus prós e contras, afinam seus discursos e preparam suas armadilhas.
A fase é morna, ainda não se viu militantes e cabos eleitorais trocando tapas e insultos pelas ruas da cidade, mas não há dúvida que estas eleições no Pará prometem ser uma das mais disputadas.
Do lado DIREITO do campo, está escalado o deputado José Priante, do PMDB. Um parlamentar esperto e bem acostumado à dinâmica eleitoral. Escudeiro de primeira linha do cacique Jader Barbalho, Priante, embora cria do próprio Barbalho, não tem densidade eleitoral suficiente e principalmente não tem topete para este tipo de disputa eleitoral.
Do mesmo lado direito está ex-governador Almir Gabriel (PSDB), dono da máquina estadual, da chave do cofre e com fortes redutos eleitorais no interior paraense, ingredientes fundamentais para compensar a falta de musculatura e outras deficiências, típicas da idade e de quem tá beirando os oitenta anos.
Do outro lado do tabuleiro, o esquerdo, se é que este termo ainda cabe, tá o PT e sua candidata Ana Júlia, senadora, testada eleitoralmente, bem conhecida e recém derrotada pelo Dotô Dudu no pleito municipal de 2004. Evidentemente isto não quer dizer nada. O PT tem base e é também dono da supermáquina federal e certamente saberá valer esta condição de situação. Vide os seus mensalões e mensalinhos.
Também do lado esquerdo, vem o Edmilson, novíssimo ídolo do PSOL e de substanciosa massa de petistas. O PSOL de Edmilson ainda é pequeno no Pará, partido novo, de gente com disposição de luta, oxigenada pela sede de mudança, disposto a recuperar a esperança quase perdida nesses tempos de roubalheira desenfreada. No PSOL vale a militância com disposição pra luta, bem diferente dos remunerados news cabos eleitorais petistas, a militância psolista que cresce viróticamente a olhos nus, vem ganhado espaço e gerenciando estruturas bem organizadas e influentes nos movimentos sociais, sindicais e da juventude. Sua militância age bem ao estilo dos fundamentalistas islâmicos, não tem dia ruim para azeitar as suas crenças. E aí reside boa parte da dor de cabeça do pessoal da Ana Júlia.
O PT perdeu moral. Descredenciou-se para falar em ética e de muitos outros assuntos. Além do mais, pesa contra Ana Júlia, o fato de não inspirar confiança do staf petista. E a desconfiança é sempre contagiosa. A boa e bem aquinhoada moça, acostumou-se ao ar condicionado. Abraçar pobre apenas faz parte da cena. Isso não quer dizer que Ana não saiba mais brigar.
O importante é dizer que a disputa promete!
Vai Almir para o segundo turno? Tem muita chance de ir! E é o que tudo indica, mesmo sabendo que boa parte da sua campanha deverá ser feita de uma preguiçosa cadeira de embalo, de pijama quadriculado e tendo sempre ao seu dispor uma bem variada farmácia. Do resto, cuida o Orly, seu fiel marqueteiro.
E na outra ponta? Priante, Ana ou Edmilson? Observadores da política vem acompanhado passo a passo esses candidatos e apostam que a bola está nos pés de Edmilson. Digam do cara o que quiserem, ele é bem preparado, é conhecido, tem experiência, é audacioso, fala bem e é despojado. É daqueles que pisam na lama para abraçar eleitor sem a menor cerimônia. Dizem por aí que o cara, com pinta de irmão do quilombo anda 5 horas por dia nas ruas abraçando e conversando com eleitores e no resto do dia ainda faz campanha. Edmilson promete ser a grande dor de cabeça para o PT e PSDB. A briga está só começando.
Marcos Sampaio

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

E das orquídeas do seu almir? É o Orly que vai cuidar?

6:37 PM  

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