
O Padre Pinto, aquele baiano que em suas missas, apresentava-se maquiado e vestido com fantasias de baiana, foi colocado em banho Maria e agora corre o risco de ser afastado da Igreja da Lapinha, uma das mais tradicionais de Salvador. O Padre diz que não vê problemas em ser como é, e diz que apenas retirou a couraça que lhe matava. Leia alguns trechos da entrevista concedida a reporte do Jornal Extra.
- Não quero é deixar de ser padre, quero que me aceitem como eu sou.
-Ficarei muito triste se tiver que largar a batina. Mas, mesmo assim, vou celebrar em praças públicas, vou dar o jeitinho brasileiro.
-Em 33 anos como padre, nunca desci para celebrar uma missa sem me maquiar. Faço uma maquiagem básica: um batonzinho levíssimo, um blush levíssimo, um pouco de rímel natural.
-Estive com a presidente do Conselho Psiquiátrico da Bahia e depois de ter feito todos os testes, ela falou que sou lúcido e que não preciso de remédios. Fiz os exames porque, se daqui para frente, o bispo auxiliar ou alguém da minha congregação voltar a dizer que preciso de tratamento mental, vou chamá-los em juízo, de posse do laudo. Para eles é cômodo me chamarem de louco. Estou me sentindo numa inquisição moderna.
-Estou com 58 anos, 33 de padre e é a hora de assumir a si mesmo, né?
-Sou a mosca que pousou na sopa e é por isso que não vou sair da igreja porque quero ser a mosca na sopa.
-Além de ser artista plástico, também sou bailarino de formação.
-Desde pequeno pensava em ser artista. Era fixado por balé clássico, mas meu pai detestava essa idéia. E eu também pensava em ser padre. Meu pai dizia: "Não sei como você quer ser padre se gosta de carnaval e de dançar". Mas eu queria ser padre da minha maneira. Imagine que eu tinha cinco anos de idade e tive que esperar 53 anos para desabrochar e ser um padre diferente. Se vier a expulsão, será um "arrase".
-Sobre se Já teve alguma relação homossexual: Sou aberto a este tipo de coisa, mas não na prática. Sempre respeitei o celibato, muito embora eu ache que já é hora de a igreja repensar esse papo de celibato para os padre diocesanos.
Esse é o cara!